SINDMUNI cobra segurança jurídica e repasse obrigatório do Incentivo Financeiro Anual a ACS e ACE
- Redação Sindmuni

- há 2 dias
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O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Rio Claro (SINDMUNI) protocolou ofício à Prefeitura e divulgou comunicado público manifestando preocupação com a forma como está estruturado o Projeto de Lei nº 04/2026, que trata do repasse do Incentivo Financeiro Anual (IFA) aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).
Embora o sindicato reconheça a importância da iniciativa de pautar a valorização desses profissionais, o texto atual do PL é considerado insuficiente para garantir, de fato, o direito ao repasse.
O que está em discussão
O Projeto de Lei nº 04/2026, que autoriza o Poder Executivo a repassar aos ACS e ACE o Incentivo Financeiro Anual transferido anualmente pela União, conforme Portarias do Ministério da Saúde.
Na avaliação do SINDMUNI, existem dois problemas centrais:
Iniciativa correta do Projeto de Lei
Por tratar de matéria ligada à execução orçamentária, remuneração e gestão de pessoal, o sindicato entende que o projeto deve ser, obrigatoriamente, de iniciativa do Chefe do Poder Executivo, sob pena de insegurança jurídica.
No ofício encaminhado ao prefeito, o SINDMUNI lembra que a Constituição Federal, em seu artigo 61, §1º, II, “a”, estabelece a iniciativa privativa do Executivo para esse tipo de proposta — regra que, por simetria, também se aplica a estados e municípios.
“Para que o repasse do IFA seja realizado de forma correta e com segurança jurídica, o respectivo Projeto de Lei deve ser de iniciativa do Prefeito”, aponta o documento.
Caráter apenas autorizativo do repasse (artigo 6º)
O artigo 6º do PL 04/2026, na forma atual, apenas autoriza o repasse do Incentivo Financeiro Anual, condicionando sua execução à chamada “conveniência administrativa”.
O SINDMUNI alerta que essa redação deixa os profissionais sem garantia efetiva de recebimento, uma vez que o repasse passa a ser uma possibilidade, e não uma obrigação legal.
No comunicado público, o sindicato destaca que:
“O artigo 6º confere caráter meramente autorizativo à Lei e condiciona sua execução à conveniência administrativa, o que pode comprometer a efetiva garantia do repasse aos servidores.”
Recurso federal, sem impacto direto no orçamento municipal
Outro ponto enfatizado pelo sindicato diz respeito à natureza do recurso. O Incentivo Financeiro Anual (IFA) é um recurso federal, transferido pela União aos municípios, não se tratando da criação de nova despesa com recursos próprios.
Por isso, o SINDMUNI argumenta que não há justificativa orçamentária para que o repasse não seja obrigatório:
“O Incentivo Financeiro Adicional é um recurso federal, transferido pela União aos Municípios, não configurando criação de nova despesa com recursos próprios do Município, portanto, não há impacto direto sobre o orçamento municipal que justifique a ausência de obrigatoriedade no repasse.”
O que o SINDMUNI está defendendo
Com base nesses pontos, o sindicato encaminhou ofício ao prefeito Gustavo Perissinotto com duas reivindicações centrais:
Que o Projeto de Lei sobre o IFA seja encaminhado pelo próprio Poder Executivo, garantindo a iniciativa correta e maior segurança jurídica;
Que o texto deixe de apenas “autorizar” o repasse e passe a torná-lo OBRIGATÓRIO, assegurando que ACS e ACE recebam, de fato, o Incentivo Financeiro Anual transferido pela União.
“Tal previsão deve ser substituída pela obrigatoriedade do repasse, pois essa é a diretriz que efetiva a valorização dos ACE’s e ACS’s”, afirma o SINDMUNI no ofício.
Valorização concreta de quem está na linha de frente
No comunicado, o SINDMUNI ressalta o papel estratégico dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias na rede pública:
atuam diretamente na promoção da saúde;
são fundamentais na prevenção de doenças;
fortalecem o vínculo entre o Poder Público e a comunidade.
Por isso, o sindicato defende que a valorização desses profissionais não pode ficar restrita ao discurso, devendo ser garantida por:
instrumentos legais sólidos,
repasse efetivo de recursos destinados à categoria,
e reconhecimento concreto do papel que exercem na Atenção Básica.
“A valorização desses profissionais deve ser concreta, efetiva e respaldada por instrumentos legais que assegurem seus direitos”, destaca o comunicado.
Compromisso do SINDMUNI e próximos passos
O SINDMUNI reafirma seu compromisso histórico com a valorização dos servidores públicos municipais e informa que:
está acompanhando de perto a tramitação do Projeto de Lei nº 04/2026;
dialogará com o Executivo e o Legislativo para ajustar a redação;
seguirá cobrando que o repasse do Incentivo Financeiro Anual aos ACS e ACE seja tratado como direito garantido, e não como simples faculdade administrativa.
Assim que houver novidades sobre o andamento do projeto e eventuais mudanças no texto, o sindicato se compromete a informar a categoria por meio de seus canais oficiais.





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